Estudantes e tutoras de Enfermagem participam de pesquisa inédita sobre microcefalia

Uma pesquisa inédita investigou as possíveis relações entre o estado de nutrição e o aparecimento da microcefalia, atribuída à ocorrência do surto epidêmico do Zika vírus em recém-nascidos. O Grupo de Estudo Integrado de Nutrição e Saúde do IMIP, coordenado pelos professores Malaquias Batista e Fátima Caminha, condensaram os primeiros resultados da pesquisa. O projeto inicial, intitulado “Zika Vírus e Microcefalia: Possíveis Relações Causais com Deficiências Nutricionais”, foi ampliado, passando a incluir outros processos infecciosos, como sífilis, HIV, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes e rubéola.
Participam na coordenação e supervisão de campo as docentes do Curso de Enfermagem da FPS, Fátima Caminha e Suzana Lins, e na coleta dos dados as estudantes de Enfermagem da FPS, atualmente cursando o 7º período, Janaína Natália, Luana Cristina e Tacyanne Fischer, entre outros colaboradores. A coleta de dados, iniciada em abril/2017, fez um ano recentemente.
Aproximadamente 800 gestantes participaram do estudo – cerca de 400 delas já chegaram ao parto. Entre os casos analisados, 3,8% apresentaram malformações, inclusive com mortes fetais. Por se tratar de uma hipótese de pesquisa, não há ainda conclusão bem definida sobre relações causais de infecções ou carências de nutrientes causadoras de malformações.
A pesquisa busca evidenciar se os níveis inadequados de nutrientes nas fases iniciais da gravidez, aliada aos agentes infecciosos estudados, pode representar risco para o surgimento de malformações congênitas, como a microcefalia, nos fetos em desenvolvimento. Experiências realizadas com animais de laboratório demonstram esse risco em casos de anemia e deficiência de folato, vitaminas A e D, zinco, selênio e hormônios tireoidianos, representados pela carência de iodo.
Segundo o pesquisador Prof. Malaquias Batista, mesmo não existindo ainda uma relação exata entre causa e consequência, o indicado é investir na prevenção. “Existem centenas de estudos iniciados e continuados em diversos países, mas ainda assim muitas doenças congênitas não estão devidamente explicadas. No entanto, já se conhece o suficiente para se adotar medidas eficazes de prevenção. A doença social da pobreza, como casas insalubres, alimentação insuficiente, nível educacional baixo, trabalho insalubre, acesso limitado aos serviços e ações de saúde, entre vários outros, forma uma estrutura adoentada que só se resolve, de fato, com o desenvolvimento humano, tendo como princípio o próprio direito de cidadania”, defende o professor.
No Brasil, estão sendo implantadas medidas de combate a esse problema, como enriquecimento do leite desengordurado com vitamina A, inclusão de ácido fólico em massas alimentícias, iodo no sal, além da utilização da palma para o combate à desnutrição e carência de nutrientes.

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