Integração de Psicologia presta homenagem a Paulo Rosas

A integração que reúne estudantes de todos os períodos do curso de Psicologia teve como objetivo apresentar a trajetória e a importância de Paulo Rosas* na psicologia pernambucana e brasileira. Participaram do encontro Agostinho Rosas, filho de Paulo Rosas, juntamente com sua mãe Argentina Rosas (esposa por mais de 45 anos de Paulo Rosas) e ainda outros convidados amigos pessoais e familiares, como Adailson Medeiros, Luciano Siqueira e Maria Nayde Santos Lima.
Os convidados ressaltaram a personalidade de Paulo Rosas como um homem incansável diante dos desafios da época. A amizade de Paulo Rosas com Paulo Freire, educador de renome internacional e importância indiscutível para a educação brasileira, foi destacada pontuando a criação do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco (MCP), além dos desafios envoltos para as discussões necessárias em um período de regime militar.
Durante o encontro os estudantes puderam compreender que nem sempre a Psicologia foi uma profissão e que muito precisou ser feito para sua regulamentação e reconhecimento enquanto uma área específica de saber. Eles participaram com perguntas sobre curiosidades e pontuando suas surpresas diante do desconhecimento anterior sobre tão importante personagem da Psicologia nacional.
 
* Paulo da Silveira Rosas nasceu em 15 de abril de 1930 em Natal. Em 1953, concluiu o bacharelado na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco. Interessado pela Psicologia, realizou pós-graduação em Psicologia Aplicada e Orientação Profissional no Instituto de Cultura Hispânica de Madri em 1954.
Retornando ao Brasil, Paulo Rosas buscou ampliar seus estudos de Psicologia por meio de leituras e investigações, quase como um autodidata. Em 1956, publicou sua primeira obra na área de Psicologia, Leitura, cinema e rádio - seu papel na formação pedagógica e psicológica da adolescência, resultado de pesquisa realizada com a. contribuição de seus alunos para a cadeira de Psicologia da Adolescência por ele ministrada no curso de Formação de Orientadores Educacionais, mantido pelo Instituto Pernambucano de Estudos Pedagógicos.
No mesmo ano foi contratado para lecionar a cadeira de Psicologia Educacional nos cursos de Pedagogia e Didática, na então denominada Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco. Na instituição, Paulo Rosas lutou pela criação de uma Divisão de Psicologia, finalmente instalada em julho de 1963, dentro do Instituto de Ciências do Homem, tornando-se o primeiro coordenador do Instituto e diretor da Divisão de Psicologia.
Sua preocupação com questões sociais levaram-no a participar como um dos sócios fundadores e coordenador de pesquisas do Movimento de Cultura Popular, amplo movimento de alfabetização popular ocorrido no Recife entre 1960 e 1964, do qual participaram também Anita Paes Barreto e Paulo Freire. A afinidade de pensamento entre Freire e Rosas especialmente no entendimento da educação como prática política, propiciou diversas atividades conjuntas na área educacional, além de uma fraterna amizade.
Em 1964, Paulo Rosas realizou estágio de Psicologia Experimental na Universidade de Paris, onde procurou especializar-se igualmente em Psicologia do Trabalho. Ao retornar, fundou o Instituto de Psicologia do Trabalho, onde permaneceu até 1971, incentivando a abertura do mercado para a prática privada nesta área em Pernambuco.
Professor em diferentes instituições de nível superior do Recife, Paulo Rosas chefiou departamentos de Psicologia e implantou cursos de pós-graduação. Em 1976 tornou-se livre docente e doutor em História da Psicologia pela UFPE, local onde desenvolveu, além de suas qualidades docentes, sua capacidade científica, sua competência, honestidade e conduta ética. Paulo Rosas aposentou-se da Universidade em 1988 e atualmente integra a direção do Centro Paulo Freire - Estudos e Pesquisas.

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